As vezes eu fico tão cansada de gente.
E me tranco sozinha.
Mas nem assim fico bem.
É que eu também sou gente.
Estou cansada de mim.
Estão todos aqui.
Mas ninguém está em ninguém.
E vamos falando para nós mesmos
que seremos sempre juntos,
um pelo outro.
Mas eu não consegui acreditar.
Só eu não consegui me convencer.
Como é triste não poder estar.
Eu não tenho medo de morrer.
Eu tenho medo de para de pensar.
Para nos juntar,
não podemos nos ver.
Meu quarto é branco demais,
eu não vou te esconder.
Vou me despedaçar
para ser mais que uma.
Eu me sento na terra
e posso ser parte do chão.
Não posso ficar.
Também não tenho como ir.
A dor que me aperta
é a que me consola
e me traz esperança.
segunda-feira, 28 de maio de 2012
sábado, 29 de janeiro de 2011
O Segredo da Colombina

Foram três anos seguidos de carnavio.No último percebi que algo estava errado logo antes do embarque.Eu não havia providenciado a fantasia.Simplesmente não me animei.Pensei que talvez fosse só o cansaço da rotina.
No dia do evento saquei então da mala o meu vestido rosa bem curto e inventei que eu era a Geisy Arruda.Tanto riso, oh quanta alegria.E foi assim no meio da eufórica multidão que de repente me senti triste.
Não sei se foram alguns corpos suados e mal cheirosos ou aquela forma rudimentar de ser abordada pelo sexo oposto.Talvez as mulheres que coreografavam não só a dança como também o ajeitar dos cabelos...Só sei que naquele instante tudo me pareceu tão real e monótono!Eu não era mais a única desprovida de fantasia naquele salão.Os piratas,as melindrosas,os árabes,as joaninhas...apenas carcaças a balançar pela pista.
A criança grita e chora quando pressente a melancolia por trás da maquiagem do palhaço.Suas almas se encontram e o castelo desmorona.A ilusão se perde.É o fim da brincadeira.Melhor colocar para dormir.Como um parque de diversões abandonado.O carrossel, a roda gigante, a decoração colorida...tudo pode até continuar lá.Mas o silêncio da falta de vida domina o lugar.E a sensação no cenário se torna trágica,mal assombrada.
Esse ano o email da última chamada cabine com varanda terceiro passageiro grátis já foi excluído.Aprendi a lição.Não se pode comprar fantasias.
quinta-feira, 25 de novembro de 2010
São Paulo, Eu te amo!

A mais alta gastronomia e as mais deliciosas simples iguarias.E a pizza...ah, a pizza!Na minha cidade pode-se provar de todas as culinárias, dos mais variados preços, a qualquer hora do dia e da noite.
Assistir a um milionário musical ou saborear um caloroso espetáculo da praça Roosevelt.Iniciar com um filme iraniano pela manhã e terminar com stand up a meia noite.Na minha cidade qualquer coisa pode. Fazer estágio no maior hospital da América Latina, estudar teatro com um famoso diretor e usufruir dos empregos nos municípios periféricos que crescem à sombra.Embolar tudo ao mesmo tempo.
São Paulo me faz sonhar, me faz querer tudo o que eu quiser, me acolhe na minha necessidade do novo e me desafia a cada descoberta. É plural,é infinito.É heavy metal,é jazz,é samba de raiz.
A cidade tem vôos diretos em diversos horários para todos os cantos do planeta. São Paulo é uma mãe generosa que cria os filhos para o mundo.Eu viajo mas sempre volto. E com o coração cheio de gratidão e saudades.
Eu poderia ter nascido em muitos lugares mas fui nascer logo no único onde consigo sobreviver. E mesmo sendo entusiasta da ironia e do sarcasmo, hoje sou só declaração de amor. São Paulo, eu te amo!
sábado, 23 de outubro de 2010
Nas pegadinhas da esquerda

Era um desses dias de ócio e eu divagava pelas crendices e superstições das diferentes fases da minha vida. Acreditei um pouco em Papai Noel na minha infância; acreditei mais ou menos em tarot na minha adolescência, e já acreditei muito em espíritos. Foi então que me lembrei do Lula e comecei a gargalhar sozinha.Sim,eu já acreditei no Lula.
Não,eu nunca fui petista. Acho até bonitas as intenções marxistas mas jamais as considerei praticáveis. Passei longe de ter sido aquele tipo de jovem de classe média alta que desfila com o biquini do Che Guevara. Eu temia Lula. Acreditava que assumindo a presidência ele implantaria o regime socialista no Brasil. E assim arruinaria minha vida. Cheguei até arquitetar um plano para sair do país. Ora, pareceu-me lógico na época. O cara estendia uma bandeira vermelha que continha uma foice e um martelo!Não percebi que era só brincadeirinha!
Oito anos se passaram e nem sinal de revolução socialista. Não é que Lula converteu-se ao liberalismo econômico!Aceitou a iniciativa privada como quem aceita Jesus!Ele até abraça Fidel, Chávez e o ditador do Irã, é verdade. Mas também abraça tantos outros variados como seu mano Netinho de Paula, Zé Dirceu, Sarney, Collor...
Que ideologia que nada!Às vezes até penso que o coitado só quer ser amado!E eu tonta achando que ele poderia estar a serviço de uma causa...
Minha livre e confortável vida foi salva. E minha descrença na humanidade só aumentou.
Já acreditei em muitas coisas absurdas e ridículas mas ter acreditado no Lula,confesso, foi muita ingenuidade da minha parte.
quinta-feira, 16 de setembro de 2010
Confissões de uma mulher de trinta
Quantas vezes observando as pessoas me senti como uma criança no zoológico olhando para a jaula dos macacos.O que eu não entendo é porque eu desejei tanto ser um daqueles macacos.Talvez a jaula tenha me parecido acolhedora.Eu estava tão sozinha do lado de fora...
Num determinado momento da minha vida resolvi entrar na jaula e agir como uma macaca.Parecia fácil emitir ruídos e jogar bananas nos outros.Não foi tão simples.Todos notaram que eu era uma macaca bem estranha.E eu continuava sozinha.Minha única alternativa foi estar fora da jaula novamente.
Eu fico pensando... e se por acaso eu tivesse nascido boi? Será que eu me questionaria como tal? Será que eu seria um boi deslocado a vagar tomado por uma sensação estranha pelos pastos? A pensar, "acho que não era para ter nascido boi" ou "esses bois ruminam demais, defecam demais...e eu também porque eu sou boi, que estranho!"
Pois eu confesso o meu segredo mais inconfessável:eu me estranho como ser humano.
Uma sensação como daquele dia em que você não está muito feliz mas era para você se sentir feliz naquele dia porque é assim que os seres humanos se sentem num dia como aquele.
Muitas pessoas me perguntam porque eu faço teatro. Não entendo bem o motivo da pergunta uma vez que elas mesmas já respondem, "você quer entrar na Malhação". Mantenho só um sorriso amarelo. O teatro humaniza. Quem sabe se eu me deixar perder em outros universos eu possa um dia me achar no meu.
Hoje,aos trinta anos,não posso dizer que sou feliz.Nem infeliz.Não sou macaco.Sou humana.E isso me basta.
quarta-feira, 7 de julho de 2010
Ai que medo da classe média!
Que se case com algum marido.Com quem se tenha uma vida sexual ou não,mas algum marido.E que desse marido possam sair filhos,aparentemente saudáveis,para que nunca falte companhia nos almoços de domingo.E que esses almoços possam ser,pelo menos uma vez ao mês,numa boa churrascaria rodízio.E que falemos da novela e das pautas do Fantástico.Que se tenha um carro do ano,melhor do que o do colega de trabalho.E uma boa semijóia para usar nos dias de festa.E que façamos sempre os mesmos comentários considerados adequados para que não nos achem fúteis ou ingênuos.Que o Chico Buarque é um gênio e o Paulo Coelho não presta.Que o Galvão Bueno é ruim e a Veja manipula as notícias.Que o Dunga não soube escalar o time e o Maradona é odiável.Que Avatar é um filme ma-ra-vi-lho-so.E que nenhuma banda vai superar os Beatles!E o mais importante,aconteça o que acontecer,escrevamos sempre no MSN "muuito felizzz",junto com uma carinha sorrindo é claro,para mostrar aos outros como somos realizados!
Ai que medo da classe média!Não me refiro a questões socioeconômicas.Falo dessa superficialidade,essa falta de alma.O espírito de classe média.Temo muito ser assombrada por ele.Os filmes de zumbis são ótimas metáforas.Seres apáticos que se arrastam,sempre em grupos,tentando devorar e destruir o que sobrou de vida.
Eu não sonho apenas com marido,filhos, carreira estável e churrascarias.Eu sonho ser viva.Que eu possa saborear todas as emoções e misturá-las todas.Que eu sangre de alegria e gargalhe de dor.Que eu descubra coisas novas e velhas.Que os outros me surpreendam e eu surpreenda os outros.Que eu respire todos os ares, enxergue todas as paisagens e me alimente de todas as artes.Que eu consiga me preencher na solidão para me esvaziar na multidão.Que eu quase exploda de tanto pensar e sentir!
Não me incomoda uma média conta bancária.Minha ambição é da alma.Minha alma não quer ser de classe média.Ela quer ser rica, muito rica.Milionária,aristocrata.
Ai que medo da classe média!Não me refiro a questões socioeconômicas.Falo dessa superficialidade,essa falta de alma.O espírito de classe média.Temo muito ser assombrada por ele.Os filmes de zumbis são ótimas metáforas.Seres apáticos que se arrastam,sempre em grupos,tentando devorar e destruir o que sobrou de vida.
Eu não sonho apenas com marido,filhos, carreira estável e churrascarias.Eu sonho ser viva.Que eu possa saborear todas as emoções e misturá-las todas.Que eu sangre de alegria e gargalhe de dor.Que eu descubra coisas novas e velhas.Que os outros me surpreendam e eu surpreenda os outros.Que eu respire todos os ares, enxergue todas as paisagens e me alimente de todas as artes.Que eu consiga me preencher na solidão para me esvaziar na multidão.Que eu quase exploda de tanto pensar e sentir!
Não me incomoda uma média conta bancária.Minha ambição é da alma.Minha alma não quer ser de classe média.Ela quer ser rica, muito rica.Milionária,aristocrata.
sexta-feira, 21 de maio de 2010
O pior dos pesadelos
Eu tive um pesadelo horrível. Sonhei que acordei presa num corpo que falava e andava. Fui obrigada a viver anos dentro dele. Como não havia outro jeito, acabei me acostumando, até que descobri o pior. Aquele corpo era provisório assim como todos os outros que vagavam comigo. Cedo ou tarde, ele desapareceria. Simplesmente deixaria de existir. Eu sofria sem saber qual seria o meu destino.Surgiria em outro corpo? Não surgiria nunca mais?
O mundo onde eu vivia era todo efêmero. Assustador. Tudo e todos estavam com os dias contados. Só que os outros agiam como se nada soubessem. Fingiam não saber. Talvez não soubessem. Eu tentava avisar mas era difícil...acho que eles só estavam tentando se distrair. Até inventavam algumas explicações para a situação... fábulas sobre um céu e inferno, histórias de um ser todo poderoso...
Eu estava completamente sozinha.Desajustada,perdida.E apesar do cenário confuso e hostil, aquele mundo era tudo o que eu tinha e conhecia. O pesadelo me fazia sofrer mas, uma vez nele, o meu maior medo era acordar.
O mundo onde eu vivia era todo efêmero. Assustador. Tudo e todos estavam com os dias contados. Só que os outros agiam como se nada soubessem. Fingiam não saber. Talvez não soubessem. Eu tentava avisar mas era difícil...acho que eles só estavam tentando se distrair. Até inventavam algumas explicações para a situação... fábulas sobre um céu e inferno, histórias de um ser todo poderoso...
Eu estava completamente sozinha.Desajustada,perdida.E apesar do cenário confuso e hostil, aquele mundo era tudo o que eu tinha e conhecia. O pesadelo me fazia sofrer mas, uma vez nele, o meu maior medo era acordar.
Assinar:
Postagens (Atom)
